ÓPERA DAS PEDRAS II

ENSAIO DE JEAN GALARD

 

Após haver visto e escutado a Ópera das Pedras, tive consciência da possibilidade de um outro mundo: mais luminoso, com cores e sonoridades mais ricas e mais intensas. Aprendi a melhor conhecer a diversidade dos azuis, dos laranjas. Vi amarelos que são de ouro e outros que são de fogo. Descobri que este outro mundo é o nosso, que vive sob nossos pés, que é mais profundo que nossa memória aparente. Escutei suspiros distantes, movimentos de amedrontamento, de calma, de euforia. Sei que os artistas, se são sensíveis e tenazes, conseguem despertar o que esta inerte e dar um sopro ao que corre o risco de se abater. Compreendi que podemos, pelos meios os mais modernos, reatar com o espírito inventivo das antigas cosmogonias.

 

Jean Galard é ensaísta, foi professor de estética no Departamento de Filosofia da USP. Dirigiu diversos organismos culturais, entre os quais o Centre Culturel Franco-Nigérien, de Niamey, a Maison Descartes, em Amsterdã, o Institut Français d’Amérique Latine, no México, a Association Dialogue Entre Les Cultures, em Paris. Foi Diretor cultural do Museu do Louvre, de 1987 a 2002.