ÓPERA DAS PEDRAS III

ENSAIO DE JEAN GALARD

 

A Opera das pedras realizada por Denise Milan e Marco Antônio Guimarães tem a ambição e a solenidade de um mito de origem. Essa obra nos é proposta com uma evidente força de convicção. Qual é a natureza desta convição ? Crença ? Invenção ? Sabedoria ? Fé ? Qual é a adesão que podemos prestar a um mito desenvolvido com tanta sedução?

Talvez a arte não existiria se não houvesse a possibilidade, em nos, de crer sem crer, isto é de hospedar ao mesmo tempo varios niveis mentais e emocionais. A capacidade de pensar e sentir em planos diferentes não resulta necessariamente em mestiçagem cultural. Se trata, antes, da possibilidade de movimentar-se entre culturas bem distinguidas, o que é o contrario da cultura híbrida, eclética e superficial.

A Opera das pedras é um bom exemplo da liberdade, que nos é dada, de passar constantemente de um plano para um outro.

 

Jean Galard é ensaísta, foi professor de estética no Departamento de Filosofia da USP. Dirigiu diversos organismos culturais, entre os quais o Centre Culturel Franco-Nigérien, de Niamey, a Maison Descartes, em Amsterdã, o Institut Français d’Amérique Latine, no México, a Association Dialogue Entre Les Cultures, em Paris. Foi Diretor cultural do Museu do Louvre, de 1987 a 2002.